Cena de Rape Day (
Cena de Rape Day ("Dia do Estupro"). Conteúdo nefasto leva plataforma a banir o jogo antes de seu lançamento. Foto: Reprodução

Em plena semana do Dia Internacional das Mulheres, a plataforma Steam finalmente resolveu banir um jogo que atenta contra mulheres.
O game em questão é Rape Day (“Dia do Estupro”). Nele, o jogador pode controlar um sociopata que assedia, estupra e mata mulheres em meio a um apocalipse zumbi.

Com lançamento previsto para abril de 2019, Rape Day ficou anunciado alguns dias na Steam. Porém, com tempo suficiente para que o assunto repercutisse e chamasse a atenção de organizações que combatem esse crime.
Assim, não demorou muito para que Sally Rugg, ativista e diretora executiva da Change.org tomasse uma iniciativa.

Rugg compartilhou uma petição na mídia social pedindo que o jogo fosse banido da plataforma e boicotado de qualquer outra.
“O estupro não é um jogo e os responsáveis ​​por isso não devem ganhar dinheiro promovendo estupro e assassinato de mulheres”.
Até o momento, a petição contava com mais de 3000 assinaturas.

Tuíte da ativista australiana, repudiando o projeto intitulado “Rape Day”


Embora o jogo tenha sido banido antes mesmo de estrear, isso não livrou a Steam de severas críticas. Diante disso, a Valve, proprietária da plataforma, precisou se pronunciar oficialmente sobre isso.
Em suma, a empresa alega que tem de esperar o que lhes chega via Steam direct, para daí então avaliar do que se trata cada projeto.

O pronunciamento, contudo, ainda consegue se embananar um pouco mais.
Ao finalizar dizendo que “fica muito difícil [e não impossível] ajudar alguém com um projeto desses” a empresa abre margem para complicadas interpretações acerca de sua política permissiva, tida por muitos como frouxa demais.

Mais uma pra conta

O episódio soma mais um conteúdo polêmico abrigado pela Steam.
No Brasil, por exemplo, passaram-se meses até que o jogo Boltomito .2k19 fosse banido.
Estrelado pelo presidente Bolsonaro, o personagem percorria ruas do país espancando minorias, que ao serem abatidas transformavam-se em fezes.

O que diz o criador

De acordo com o criador do jogo [via newshub], Desk Plant, Rape Day é definido por ele como uma “novela visual”, onde o protagonista pode “assediar verbalmente, matar pessoas e estuprar mulheres enquanto você escolhe progredir na história”.
Contudo, trata-se de uma “fantasia”, diz Plant, tentando minimizar o conteúdo abordado.

Desk Plant vai além nas suas argumentações. “Toda boa fantasia é uma fantasia de poder”, escreve o criador do jogo. “Mesmo que seja uma história estranha sobre ganhar a aceitação da perda de controle, ainda assim, é uma forma de poder. A pornografia [por exemplo] é ainda mais sobre o poder.”
Para preencher um campo de perguntas e respostas sobre o game, Plant chegou a definir seu projeto como uma “comédia sombria”.

Os interessados em apoiar a causa, não só de banimento de Rape Day da Steam, mas de qualquer outro site que o hospede, podem acessar aqui o abaixo-assinado online e contribuir para o veto do jogo.